quarta-feira, 1 de setembro de 2010

O nosso luar



Abri os olhos e estava no meu jardim; era grande, coberto de relva, havia uma enorme oliveira no centro e tinha algumas flores espalhadas. Eu estava deitado na base da oliveira, a minha pele tinha agora um tom prateado devido à luz da lua cheia que me cobria. O vento soprava levemente as folhas da oliveira, originando uma melodia de fundo. Estava tão relaxado e tranquilo.
O ambiente que me rodeava era propicio a momentos de romantismo, e isso fez-me, obviamente, pensar em ti. Oh como me fazes falta. Fixei a poderosa lua cheia e fiquei hipnotizado ao reparar que no circulo prateado podia ver o teu rosto. Os teus cabelos loiros, os teus lindos olhos azuis, os teus lábios que me enchem de sede de os beijar, as tuas bochechas que me dão vontade de acariciar. Soltei um suspiro que arrastou o teu rosto da lua como se fosse poeira. Eu precisava tanto de ti. Fechei os olhos e tentei acalmar-me, mas foi impossível. Senti a oliveira mexer-se! Levantei-me num só impulso e observei: a oliveira tinha-se transformado em ti! Eras mesmo tu ali comigo. Aproximei-me com receio, encorajaste-me com um sorriso e caí nos teus braços, envolvi-te com toda a minha força e tu enterraste o teu rosto no meu ombro. Oh meu Deus, como era bom ter-te comigo, sentir o toque que nunca sentira, ou cheirar a fragrância que nunca antes farejara. Segurei a tua face e fitei os teus olhos, a luz da lua dava-lhes um brilho extra; a tua beleza era cada vez maior, como se isso fosse possível. Deixavas-me petrificado com a tua presença, sem eu esperar beijaste-me. Ao contrário do que pensava, o teu beijo não diminuiu a minha sede dos teus lábios, aumentou-a de uma forma que me queimava por dentro. Então era a isto que Camões se referia quando afirmou que o “Amor é fogo que arde sem se ver”. Mas eu queria ser devorado por estas chamas que não doíam e desejava ao mesmo tempo que os teus beijos continuassem a alimentar esta chama que me consumia.
Subitamente a luz da lua cheia tornou-se fria, vazia e tentava combater a chama do nosso amor, mas nem conseguia. Este fogo era demasiado quente para pensar em apagar, era o nosso fogo. Demos mais um beijo, entrelaçamos os dedos e fixámos a lua para combater o seu esforço de nos separar. Se eu estava contigo nada seria capaz de nos derrubar, nunca. Os raios de luz deixaram de tentar o impossível e passaram a dar apenas um brilho adicional aos nossos rostos, de mãos dadas observávamos o céu nocturno. Uma estrela cadente rasgou o céu subitamente. Eu podia pedir um desejo.
Distraí-me do céu e fitei o teu rosto que fixava as estrelas. Os teus olhos azuis brilhavam como nunca antes, a tua pele agora prateada cintilava, os teus cabelos loiros pareciam agora fios de ouro, o vento trazia até mim o teu perfume, agora podia sentir o teu toque. Acima de tudo, agora estávamos juntos. Eu não tinha nada mais a pedir, nada mais eu queria. Então eu ditei algo à estrela cadente, não um desejo, mas uma informação. “Amo-te” foi a minha sentença. Sorriste e beijaste-me. O fogo em mim flamejou e a minha sede dos teus lábios tornou-se insaciável. “És muito importante para mim”, disseste. “Eu quero-te para sempre”, tive de informar. Então tu proferiste a chave da minha felicidade, “Amo-te”.
Assim ficámos para sempre, juntos sob a luz prateada do nosso luar.  

3 comentários:

  1. O amor faz-nos dizer coisas muito belas.

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  2. Muito lindo o texto que escreveu, romântico demais. :]
    Você escreve muito bem. Estou te seguindo!
    Depois me segue também. Beijos! :*

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É necessário dizer que quero muito que comentes? Ok, eu quero muito que comentes os meus textos :D.
Obrigado pelo teu comentário.